{} depois de dias de férias em total harmonia com o azul,
o silêncio e a paz, como voltar aos dias repletos de estrondos?
é a buzina, é o avião, é o telefone.
são as motos no corredor da marginal.
depois de sua presença tão repleta de delícia,
sua fala cheia de encantos,
sua cara e sua barba,
qualquer retrato é sem-graça.
depois da coca-zero e do morango com sal,
o arroz e feijão do dia-a-dia perde o sabor.
depois de momentos sem pressa,
de esparramar-me no meio da sala, o infinito parecia ser a TV.
as uvas, as lichias, o vinho, o peixe, a vodka, o suco,
toda a potência do sabor numa fruteira,
na geladeira, na churrasqueira.
você me trouxe pensamentos vários e mesmo assim,
eu só conseguia falar em você.
eu não coleciono amores, eles me conquistam, um a um.
quando identifico-me com um amor é como eu encontrasse um tesouro.
toneladas de fogos de artifícios sem artifício nenhum contra a chuva.
dia 31, não é a folhinha do calendário que muda, isso é bagatela,
é superstição, imposição humana. regrar, datar.
o que tem que mudar é você, sou eu, todos nós.
começar hoje a mudança para a colheita perfeita e positiva do que queremos
para este ano ou o ano que vem.
amores-tranquilos, familiares-saudáveis,
amigos-coloridos, paisagens fantásticas.
eu te mostro uma música, você gosta.
eu te mostro outra música, você gosta.
eu te mostro mais músicas e você gosta.
eu te mostro uma fotografia e você me entende.
eu te mostro um vídeo e você sorri.
você fala, fala, fala
e então demora para acender o cigarro e eu já no segundo.
depois de ler um outro amigo postar que
“as pessoas não sabem mais conversar hoje em dia”,
é porque ele não conhece você.
você diz muito do que quero escutar e me adivinha.
antes de ouvir a tua voz parece que eu já sabia.
na cama, nosso ritual foi lindo.
daí você disse, que depois da música, do drink, do vinho,
você iria embora. e você foi.
o bolo ficaria pronto em meia hora e tinha sorvete na geladeira.
o café sairia em minutos
e eu estava doida para te botar o açúcar.
aprendi com o nosso amigo Macedônio Fernández,
a mexer como ninguém
com uma colherinha-especial o açúcar,
e adoçar até o ponto perfeito.
o contrário também é possível:
desfazer o doce, super-doce,
de uma dosagem errada de açúcar
com a mesma colherinha-especial mexendo no sentido contrário.
queria te mostrar, mas você realmente se foi.
dormi horas.
no dia seguinte, fumei as horas.
os cachorros choraram,
quase miaram a ausência dos queridos
que estavam lá fora na piscina.
estar na mesma cidade que o mar, às vezes, me basta.
não preciso vê-lo ou senti-lo.
noutras, quero engoli-lo.
o ventilador do meu quarto no primeiro dia me assustou,
girava louco e a mente mais louca ainda,
imaginava-o a despencar.
nus. um verdadeiro esforço.
você esteve lá o tempo necessário.
você esteve lá e eu te sorri meus dentes num esforço de branco.
não me leia no android,
me leia na tela azul do computador, eu prefiro.
meus emails e textos são para a tela azul e não para a mini-tela.
só agora lembro e lamento:
não tiramos uma única foto.
na piscina-azul, aquele azul-plástico, ficaria linda.
mas você foi.
repletos da certeza de que haverá um depois,
seguimos e subimos a serra.

abro novo parágrafo para o que vem depois…

Posted Wednesday, January 11th, at 2:13 AM (∞).

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